Nina, uma perdigueira à espera de sorrir



Apresento-vos a Nina. A Nina assustada, encolhida sobre si mesma, com medo de tudo e de todos, evitando o contacto humano. A Nina dos olhos tristes, com marcas no corpo e na alma reveladoras de uma existência de maus-tratos, que transformam a confiança e a entrega, em desconfiança e fuga. Pouco ou nada se sabe da sua história, mas adivinham-se abandono, negligência e obediência conseguida através do terror. 

Vagueava à sua sorte pelas ruas da vila de Mafra, arriscando-se continuar a ser enxotada ou inadvertidamente atropelada por algum carro. Não se sabe se foi abandonada por antigos donos ou se  fugiu do local onde habitava. Teve a sorte de algumas pessoas repararem que "parava" muitas vezes numa das rotundas da vila, local próximo onde algumas pessoas iam deixando-lhe comida, sem nunca conseguirem aproximarem-se o suficiente para a resgatar do perigo eminente que corria.

Com a mobilização de um grupo de pessoas interessadas em ajudar e proteger os animais do concelho, foi recolhida da rua após várias tentativas, com a preciosa ajuda, dedicação e competência de José Catarino, voluntário da APA e faz agora parte da família dos patudos acolhidos no Bosque dos Pimpões, com o apoio da MafrAnimal

Nestas cerca de 3 semanas que está connosco, a sua evolução tem sido lenta, porém constante. Todos os dias nos dá mais um pouco de si... confia um pouco mais... acredita ser possível que nem todos os humanos são fonte de sofrimento e traição. Já abana a cauda à nossa chegada, lambe a nossa mão que a alimenta, caminha de cabeça erguida e arrisca explorar o ambiente à sua volta. Refila, ladrando se deixada por momentos sozinha no parque, sabendo que estamos por perto e vai relaxando os músculos, cada dia um pouco mais, quando a nossa mão lhe afaga gentilmente o seu corpo. A cada dia nos deixa mais felizes e com motivos para sorrir e acreditar que o seu futuro não está hipotecado para sempre.



Infelizmente, a existência de pessoas para quem os animais são meras coisas ou extensões do seu egoísmo e ignorância, são ainda muitas (não quero acreditar que sejam a maioria). No entanto, há ainda todo um futuro pela frente e acreditamos que a Nina irá recuperar a confiança nos humanos, com experiências positivas constantes e comportamentos coerentes e encontrará uma família que não lhe virará as costas nem ignorará a sua disponibilidade para amar.

O nosso obrigada à Susana, à Ana e à Luciane por terem aceite a nossa oferta de ajuda e por se mobilizarem na recuperação da Nina, acompanhando o nosso trabalho e testemunhando o carinho com que cuidamos de todos os nossos patudos aqui no Bosque dos Pimpões.